Andar de moto: respeito é a regra número 1

CG 150 Titan25Encarar o trânsito de uma metrópole, pegar uma rodovia ou mesmo percorrer um pequeno trajeto em uma localidade tranquila com uma motocicleta. Muitos gostariam de fazer isso mas nem todo mundo pode ou consegue. Se você tem esta capacidade, parabéns, sinta-se um privilegiado, mas coloque uma palavra em sua cabeça: respeito! Por você e pelo veículo que você conduz.

Nem todos os seres humanos são capazes de coordenar os cinco comandos que uma motocicleta normalmente tem com apenas quatro membros. Esta conta que não fecha implica em ter certa habilidade, talento, e se a isso somarmos o necessário equilíbrio e uma refinada percepção espacial a conclusão é que, sim, quem pilota moto é um privilegiado.

Quase um super-homem? Menos, bem menos… Não é preciso exagerar. Conduzir uma motocicleta é uma experiência fascinante, para alguns quase uma experiência mística. É o meu caso: há exatos 46 anos ando de motocicleta e ainda lembro em detalhe de minha “primeira vez”. Naquele instante mágico tive certeza de que as motos iriam fazer parte de minha vida para sempre, e acertei.

Porém nunca fui um super-homem do guidão, nunca tive habilidade acima da média. Apenas entendi loguinho que andar de moto é que era especial, e não eu e desenvolvi um saudável respeito pela máquina e pelos meus limites. Quase cinco décadas depois dessa estreia meu retrospecto é bem positivo, jamais tive um episódio “doloroso”.

Ué? Não dizem que a moto é o veículo mais perigoso que existe? Como explicar tanto tempo e tantos quilômetros rodados com um veículo que, como o Jô Soares gosta de dizer, “foi feito para cair”, sem nenhum acidente digno de nota, nenhum ossinho quebrado sequer?

A MOTO É PERIGOSA?

Não. Perigoso é quem a pilota sem o devido respeito e, principalmente, sem conhecer seus próprios limites. Muitos jamais tentaram andar de motocicleta vencidos pelo medo. Outros estão no extremo oposto e fazem da moto um instrumento para exibir a quem quer que seja uma coragem suicida.

Acredito que, como sempre, a verdade está no meio: é muito frustrante nem tentar fazer algo que pode ser positivo por temor, assim como é pouco saudável exceder. Andar de motos não me exigiu dom ou talento acima da média, mas sim – bato de novo na tecla – perceber quanto antes que o veículo exige respeito.

Desaforos ao guidão custam caro, erros são dolorosos e podem ter consequências bem ruins e irreversíveis. Fatalidades acontecem em qualquer atividade, mas a maioria das histórias ruins sobre motociclistas que ouvi ou vivenciei ao longo de minha vida tinham um componente de abuso ou excesso, do que fosse. De velocidade, de autoconfiança, de exibicionismo e por aí vai.

Portanto, RESPEITO é a regra nº 1 a ser seguida desde o primeiro metro de sua vida de motociclista. Constatacão irrefutável: existem motociclistas experientes e motociclistas irresponsáveis. Mas não existem motociclistas experientes e irresponsáveis… Os irresponsáveis ao guidão não terão tempo de se tornarem motociclistas experientes.

Alguns são mais habilidosos, ousados, ou ambos. A eles, parabéns, e que além disso tenham sorte. Mas, com ou sem grande dom para o guidão, conhecer seus limites é importante. Levar motos ao extremo é coisa para poucos. O melhor é explorar outras capacidades, a de se concentrar e querer fazer bem feito. Resumindo, menos rapidez e malabarismos e mais capricho.

Por Roberto Agresti

 

Fonte: http://g1.globo.com/carros/motos/blog/dicas-de-motos/post/andar-de-moto-respeito-e-regra-numero-1.html